domingo, 1 de agosto de 2010

Era uma vez...


Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse hoje, minha paixão era o trapézio e me atirava lá do alto, na certeza de que alguém seguraria minhas mãos, não me deixando cair. Era lindo, mas eu morria de medo, eu tinha medo de tudo quase, circos, ciganos, parques de diversões, aquela gente encantada que chegava, e se ia. Era disso que eu tinha medo, do que não ficava pra sempre. Era outra vez, outro parque, ciganos e patinadores, o circo chegou a cidade, era uma tarde de sonhos, e eu corri até lá. Entrei no meio dos artistas e veio falar comigo uma moça que era a domadora, uma moça bonita, mas uma moça forte, uma moçona mesmo e eu lhe falei que eu queria ser trapezista. Ela me olhou, riu um pouco, e falou que era muito difícil, mas que nada é impossível. Depois veio o palhaço Poppy, veio Diderlang que mais parecia um príncipe, o dono do circo, as crianças. De repente apareceu uma luz lá no alto e todos ficaram olhando, a lona do circo havia sumido e o que eu via era a estrela Dalva brilhando no céu aberto. Quando me cansei de olhar para alto e fui olhar as pessoas, só aí eu percebi que eu estava sozinha.

Texto de Antônio Bivar, com modificações da minha eterna profe Dani. Que saudades disso tudo.

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