Chovia e o vento entrava pela janela aberta. Segurava a folha e mesmo assim ela dobrava. Um murmúrio que se espalhava ao redor, entrava e saía dos meus ouvidos sem fazer sentido algum. Volto o olhar a folha e ela havia se desbobrado, voltado sem eu mexer nada sequer, apenas voltou com com o cessar do vento, e isso chamou a atenção. O barulho lá fora diminuiu e ouvia o tec tec, de alguma tampa fechando, ou de algo sendo colocado em cima da mesa, além de uma voz lá na frente informando, mas que dessa vez, entrava e saia assim como os murmúrios. Eu estava de mau, e não queria falar, queria descansar um pouco encostada nos ombros de alguém. Quem sabe percebam que estava assim, acho que sim. Na verdade queria uma pitadinha de mais atenção, e um pouco menos, muito menos reclamação, mas eu vou aguardar, já que eu pensava que ia ser um pouquinho diferente. Eu sou a folha, que quando posta a um vento muito forte, embora demore, "explode", mas quando o vento cessa, e para mim cessa rápido, eu volto ao normal, do jeito natural, só preciso do meu momento, já que fico assim poucas vezes creio eu, aquele momento onde eu quero um sorriso, ou um olhar, mas que não consigo sequer olhar para alguém. E é só isso, preciso do meu tempinho, e uma atençãozinha maiorzinha iria bem. Mas eu sigo com calma, e volto ao normal, e eu cedo sim, as vezes é preciso mesmo, para o meu bem-estar e para o bem-estar geral. Foi só aquela hora, que o meu olho ficou baixo.
"O mais corrosivo de todos os ácidos é o silêncio." Andreas Frangias
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